Anthropic simplifica MCP: protocolo vira stateless na versão 2.0
Especificação publicada em 28 de julho troca duas requisições HTTP por uma e derruba a barreira para modelos que rodam em laptop.
Especificação publicada em 28 de julho troca duas requisições HTTP por uma e derruba a barreira para modelos que rodam em laptop.
Anthropic publicou em 28 de julho de 2026 a versão 2.0 do Model Context Protocol, batizada de MCP 2.0 na especificação 2026-07-28. O protocolo padroniza como agentes de IA acessam ferramentas externas; a nova versão elimina o estado de sessão entre cliente e servidor. Simon Willison, desenvolvedor que descreveu a mudança como "a mais significativa" desde o lançamento do MCP em novembro de 2024, construiu três ferramentas na mesma semana para testar a especificação. A simplificação reduz a barreira de implementação para clientes e servidores e interessa a quem quer rodar agentes em hardware local, sem serviço em nuvem.
No MCP antigo, uma chamada de ferramenta exigia duas requisições HTTP. A primeira inicializava a sessão com Content-Type: application/json, método initialize e protocolVersion 2025-11-25, devolvendo um Mcp-Session-Id; a segunda, com o ID no cabeçalho, chamava tools/call com os argumentos. O novo formato usa uma única requisição com os cabeçalhos MCP-Protocol-Version: 2026-07-28, Mcp-Method: tools/call e o nome da ferramenta, com os argumentos no corpo. Sem sessões no servidor, não há estado para manter nem necessidade de rotear a mesma sessão para a mesma máquina de backend, o que facilita aplicações web distribuídas.
A primeira ferramenta publicada por Willison em 31 de julho é o mcp-explorer, um CLI em Python que roda via uvx sem instalação. O comando "uvx mcp-explorer list https://agentic-mermaid.dev/mcp" consulta o servidor de demonstração de Ade Oshineye, que tem cinco ferramentas: execute, describe_sdk, render_svg, render_ascii e render_png. "uvx mcp-explorer inspect render_svg" mostra o JSON schema de entradas e saídas; a chamada usa argumentos como -a source "graph TD; A-->B" e devolve {"ok":true,"svg":"<svg..."}. O usuário pode extrair só o SVG com "| jq .svg -r".
A segunda é o datasette-mcp, plugin que adiciona o endpoint /-/mcp a qualquer instância do Datasette; é a quarta tentativa de Willison de integrar o protocolo ao projeto. A nova especificação responde a um momento de perda de tração. O MCP teve um enorme pico de interesse em 2025 e depois foi ofuscado pelo Skills, também da Anthropic, que dá ao agente acesso a um shell com curl. Willison já tinha documentado em sua revisão de 2025 que um harness com terminal e curl fazia a maior parte do que o MCP fazia, de forma mais flexível. Essa via é arriscada: dar shell a um agente exige um modelo forte o suficiente para dirigir o ambiente. Ferramentas MCP são mais fáceis de auditar e controlar, e modelos pequenos de laptop dirigem-nas razoavelmente bem, segundo Willison.
O comunicado da Anthropic demonstra o funcionamento com exemplos técnicos e aponta uma adoção concreta: o servidor de Oshineye, agentic-mermaid.dev, renderiza diagramas Mermaid em SVG, PNG e texto. O post de 21 de maio, que apresentou o release candidate, já trazia o comparativo antes/depois do HTTP. O que falta são evidências de adoção: a empresa não publicou números de uso, lista de provedores compatíveis nem benchmarks entre a versão stateless e a antiga. O termo "Stateless MCP day" saiu de um tweet de Oshineye na terça-feira; o anúncio formal é material da própria empresa e não prova adoção além do servidor de demonstração.